maio 19, 2011

Last beat of the heart - parte III



Quando o viu, Mafalda, paralisou, sentiu o seu coração acelerar, teve um arranque lento mas de cada vez que ele olhava e escondia a cara ele aumentava um batimento, o seu coração parecia estar a mil e ela sentia "borboletas", sentia-se como se fosse a primeira vez que o visse, que nada se tivesse acontecido. Apercebeu-se que se encontrava ali, parada, à uns bons dois, três minutos. Respirou fundo, enchendo os pulmões de ar e começou a caminhar na sua direcção. Via aquela figura; alta, loira, de olhos azuis e sorriso reluzente, com um ar ansioso a olhar para ela. Envergava um pólo azul que fazia sobressair-lhe os olhos e uns calções de ganga clara- «Está lindo, como sempre ..», pensou.
- Mafalda ... - disse reticente, dirigindo-se a ela. - Estou aqui como pediste, fala.
- Eu ....
- Sim Mafalda?
- Martim, eu amo-te - bradou - eu amo-te, mas não consigo, desculpa. - disse.
Martim segurou-lhe a cara, na qual já escorriam, leve e furtivamente, lágrimas frias, enxugou-as com a mão direita e, suavemente, deu-lhe um beijo na testa, abraçou-a e apenas disse:
- Está tudo bem .. Não te preocupes. Calma..
Mafalda parou por momentos, virou a cara para cima, olhando-lhe nos olhos; conhecia-o como ninguém e conseguia perceber a preocupação, a tristeza e carinho que inundavam os seus olhos azuis.
- Martim .. eu ...
- Shhh ... Não digas nada, não é preciso. Vem comigo...
- Onde me queres levar?
- Já vais perceber ... Foi por isso que vim mais cedo, queria certificar-me que não se encontrava lá ninguém.
Pouco atrás do grande carvalho, uns 10 metros, encontrava-se um pequeno bosque, que ainda fazia parte do terreno da escola, muitos colegas nossos iam lá para fumar ou até, apenas, para passar o tempo, principalmente quando faltavam ás aulas. No centro desse pequeno bosque encontrava-se um lago, fazia-me lembrar um lago de um filme que eu via quando era pequena - a barbie e o lago dos cisnes - eu sabia que era estranho referenciá-lo desse modo, mas toda aquela calma, aquelas árvores a envolver um lado "escondido", até mesmo aquela escuridão que só era perfurada por uma ténue claridade...
- Lembras-te Mafalda?
- Do quê Martim?
- Quero saber; quero saber se te lembras da primeira vez que estivemos aqui, quando te pedi em namoro, quando me sussurras-te ao ouvido "gosto de ti desde sempre", que dissemos tudo o que havia por dizer, um ao outro; sabes, aquela vez em que fizemos promessas, não de um amor eterno, mas de um amor que perdurasse até ao fim do tempo, até que o Universo se consumisse a ele próprio e que esse amor ficaria, para sempre, guardado nestas águas. Vais dizer que te esqueces-te?
- Não Martim, lembro-me disso até ao mais ínfimo pormenor.

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