abril 18, 2011

I'm alone (where are you?)

Já não o via há algum tempo, ele tinha ido de férias com um amigo e os pais dele, um amigo que ele fizera na escola antiga dele: acho que era o melhor amigo dele. Mas na altura eu não sabia dessa ida de férias. Procurei-o em todos os corredores, em todas as salas, fui ao quarto dele, ao jardim onde havíamos passado aquela noite, ao terraço -onde o tinha visto a primeira vez- tudo aquilo era tão estranho; não sabia onde ele poderia estar e isso angustiava-me, não sabia que sentimento era aquele e que insegurança era aquela. Além de que, aquela ligação emocional, tornar-se-ia inútil, nos iríamos acabar por nos separar, talvez um dia viesse alguém que nos "adoptasse" e então que faria? Eu não tinha esperança que isso acontecesse, não pela minha parte, mas podia acontecer-lhe a ele; se acontecesse? Se acontecesse nunca mais o veria e, o que sentia agora, por não saber onde ele estava - ele podia muito bem apenas ter ido dar um passeio longo - multiplicaria-se mil e uma vezes. Estava a desesperar, dei por mim deitada na minha cama com a cara enterrada na almofada, mal saí de lá durante toda a semana das férias. Podia muito bem ter perguntado por ele ás encarregadas, mas nem sequer me lembrei disso - que estupidez a minha - queria vê-lo e dele não havia sinal. Teria acontecido alguma coisa? Teria sido adoptado? NÃO! Se ele se fosse embora de certo que me avisaria .. Farta das quatro paredes do meu quarto dirigi-me à sala, era um pouco mais que as 22horas e eu, sentei-me no piano, toquei em cada tecla devagarinho, não fazendo muito barulho, mesmo sabendo que ainda estava toda a gente acordada, de vez em quando ia lá um menino ou uma menina mais novos que eu , ouvir. Já era quase 01horas e eu ainda tocava, tocara sempre a mesma melodia, uma longa melodia. Passado um tempo após ter-me sentado ao piano e toda a gente ter ido dormir - por volta das 23horas- as lágrimas começaram a cair, eu chorava ao lembrar-me que talvez tivesse perdido a única pessoa de quem tinha, alguma vez, gostado de verdade. Não sabia que saudade, que angustia e que desespero, eram aqueles. Ouvi uns passos mas não me virei, alguns segundos depois senti duas mãos taparem-me a vista e uma voz suave sussurrou-me «de nada vale estares ai a chorar, o teu sorriso é bem mais bonito que essas lágrimas».
Virei-me para ele rapidamente e, instantaneamente, saltei-lhe ao pescoço, dei-lhe um abraço enorme seguido de um leve beijo. «Que estou a fazer?» pensei, mas aquilo parecia-me correcto. Tudo o que fazia com ele parecia correcto. Ele contou-me a sua semana de férias em casa do amigo, senti-me estúpida por não ter pensado em algo do género, contei-lhe o que tinha pensado que se tinha pensado e ele riu-se. Confiava nele, era estranho mas confiava, nunca tinha confiado em ninguém, desde pequena que tinha uma revolta com as pessoas, não sabia confiar nem gostar de ninguém. Mas, não era segredo, eu gostava dele.
Marrie


[inventado]

17 comentários:

  1. para já, estou sem mensagens à umas boas duas semanas, e quando falaste no msn mandaste mensagem a dizer que foi a baixo eu nem estava lá e depois não tinha mensagens para responder -.-

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  2. adoro muito! não sabia que já tinhas publicado aquele bocado que me mandaste, mas wow, parabéns ritinha :)

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  3. Sim, a sério. Eu vi o nome num filme francês e adorei :]

    Estou a adorar a tua história, e obrigado... Escrevo a continuação em breve :)

    Beijinhos^^

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  4. se depois descobrires diz-me alguma coidsa (: é que parece-me tanto..
    ai esta história +.+ adoro!

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