julho 06, 2011

letters to my self (parte III)



Meu amor, tanto tu como eu sabemos, que nunca terei coragem de te mostrar tudo o que escrevo em segredo. De certa forma sempre fui um pouco cobarde, acobardei-me sempre nas horas decisivas, sempre tive receio de tomar decisões, nunca fui aquela que dava o primeiro passo e, da mesma forma, nunca tive coragem de defender sempre a minha posição, dando logo o braço a torcer. Talvez te tenhas fartado do meu carácter fraco, mas acho que desta vez fui capaz de arranjar a coragem para ser forte e aguentar-me, o melhor que posso.  Sempre fui daquelas pessoas que não acreditam nas promessas cegas e vãs do "felizes para sempre" e do "nunca te vou deixar", mas a tua maneira de ser e as tuas palavras e provas de carinho idealizaram-me, de forma diferente, a felicidade, a fidelidade, assim como, tornaram real e credível o verbo prometer. Mudaste-me, levando-me a acreditar e a aceitar, como meus, os teus ideais, não achei que isso fosse tão mau, na altura, mas agora sinto que parte de ti está sempre presente, mas sabendo que não te voltarei a ter, a ver e a sentir, isso está a matar-me por dentro. Hoje, sentindo-me enclausurada, decidi sair de casa e dar uma volta. Comecei a caminhar, praticamente, sem rumo, pelas ruas atribuladas das cidade. Os caminhos pareciam-me todos iguais e, seguindo-os, como se de uma rotina se tratassem, eles levaram-me ao miradouro, onde tu me havias pedido em namoro, não sei porquê, mas todos os caminhos me levam a ti, ou melhor, ao encontro das tuas memórias e á realidade da tua ausência. 
(inventado)

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